Em um anúncio, na manhã desta terça-feira (18), a prefeita Adriane Lopes ligou novamente a sua “metralhadora de promessas”, a mesma que hoje lhe rendeu memes, menção em música sertaneja e que, em 2024, a ajudou a ser eleita. No gatilho da vez, a conta de padaria, na qual programa-se um pacote de investimentos em Campo Grande, na ordem de R$ 544 milhões a partir de economias domésticas.
Contrassenso, se o histórico de ajuste da chefe do Executivo for levado em consideração, nas duas vezes que tentou “ajustar a máquina”. Em 2022, logo que assumiu, nos meses de novembro e dezembro foram de sustos a inúmeras famílias, algumas com inusitadas exonerações, que depois chegaram a ser revertidas.
Para outros, a despedida teve a justificativa de “mais austeridade” na gestão. No entanto, o que se sucedeu, passou distante da boa intenção e de resultados reais no equilíbrio financeiro da Prefeitura.
Nos indicadores oficiais, o gasto com pessoal seguiu, se mantendo regularmente acima do limite prudencial de comprometimento da RCL, a Receita Corrente Líquida. Probleminha que se pouco se resolveria, ainda mesmo com a redução mensal de R$ 41 milhões mensais, o que em condições perfeitas, e disciplina total, serviria para se atingir os tais R$ 544 milhões.
Acontece que, de acordo com tentativas de cortes anteriores, para a reorganização da Prefeitura, eventos de 2013, 2017 e até de 2023, apenas com redução de custeio e nas gratificações, sejam elas de concursados, ou dos comissionados, a torneira não fecha nessa escala.
E para conseguir, Adriane precisará de mais remédios amargos, como exonerações e desligamentos de beneficiários do Primt (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho), por ser esse o verdadeiro caminho ao equilíbrio fiscal do seu governo: ter menos gente no quadro.
Sinais indicados, então, para um dezembro preocupante a servidores municipais e bolsistas do programa social municipal, já atingidos com centenas de dispensas recentemente. Caos, no qual já paira uma certeza, de que milhares de pessoas terão salários menores e vários com margem de renda bem comprometidas, por terem nos seus holerites, descontos de empréstimos consignados.
Ruim para a cidade, péssimo para o comércio e mais ainda para a consciência do eleitor campo-grandense, que aprendeu uma lição nos últimos anos: nada que esteja ruim, que não possa piorar. Tragicamente, o pior anúncio é sempre o próximo, pois, de tentativas e erros, as promessas de 2024 se perdem no tempo, novas ideias surgem, mas no caixa a realidade é de atrofia.
O que parece lindo, no discurso empresarial usado para a política, baseado no “autofinanciamento” de projetos, também pode ser visto como retórica, ou projetos para Adriane ganhar tempo. Quem sabe, na melhor das hipóteses para um dia aprender que a Prefeitura de Campo Grande tem sim uma condição privilegiada para investimentos, desde que a gestão não desperdice e seja pontual naquilo que for dedicar prioridades.
No entanto, a prefeita não detalhou os projetos que vão contemplar os 33 bairros nem a fonte do recurso. A Capital já sofre com o ritmo de tartaruga ou com a paralisação das obras.
Estratégia antiga e velha
Com o “pacote de obras”, Adriane repete uma estratégia antiga dos políticos em maus lençóis com a população. Os investimentos milionários têm o objetivo de criar fato positivo diante da impopularidade recorde da prefeita, reprovada por 85% dos moradores de Campo Grande.
Segundo pesquisa do Instituto Ranking Brasil, divulgada nesta terça-feira (18), 66% dos moradores da Capital classificam a gestão Adriane como ruim ou péssima, enquanto apenas 9% a avaliam como ótima/boa. Ela está repetindo Gilmar Olarte (sem partido), que surgiu na mesma igreja, Assembleia de Deus Missões, e terminou o mandato preso, condenado a oito anos por corrupção e lavagem de dinheiro.
Adriane ainda tem três anos para se recuperar. o Jacare.com







